quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Let my Cameron go...


Sabe quando alguma parte da sua vida soa exatamente como um filme? Pois é, isso aconteceu comigo.

Antes de começar a contar, é de grande utilidade citar uma declaração minha, após descobrir que não surgem músicas do nada nos momentos certos, como em um filme: “Deus é um péssimo diretor de cinema”.

Segunda-feira, Russa e eu assistimos o Ferris Bueller’s Day Off (talvez você o conheça por Curtindo a Vida Adoidado), ou pelo menos parte dele, já que eu estava morrendo de sono. Nós duas compartilhávamos o sonho de fazer algo parecido: três adolescentes matando aula. Isso parecia incrivelmente divertido, mas não tínhamos nenhum amigo com um carrão.

Eis que no outro dia não teríamos nada de importante na aula (final de ano... sabe como é) e decidimos matar aula com o Paul. Este último é o único cujos pais se importariam com isso, e sua mãe iria ao colégio no dia para falar com professores. Mesmo com o risco de algum professor o dedurar, ele aceitou ir conosco.

De manhã, após conseguirmos dinheiro para passagem e traçarmos nossa rota, buscamos o Paul e fomos para a parada de ônibus. Paul se escondia, com medo de seus pais o encontrarem, acreditando ser o único a ser prejudicado se isso acontecesse. Russa e eu garantíamos que, se algo desse errado, assumiríamos a culpa. Era claro que o Paul, de acordo com o filme, seria o Cameron. Restava para nós duas dividirmos os papéis de Ferris e Sloane.

Ao chegar no Capão, nos divertimos na pracinha, como três crianças felizes. Brincamos nos brinquedos e pedimos carona a um homem em um trator, que apenas nos ignorou.

Logo após isso, fomos ao mini-zoo do Capão. Lá, a Russa irritou a nós dois com uma incansável música sobre coatis.

Então caminhamos mais alguns metros e sentamos em um banco. Enquanto Russa se divertia com o celular de Paul, que tocava nossa trilha sonora, eu e ele tínhamos um momento romântico. Russa é um ótimo castiçal.

Então, a música cessou. Virei para o lado e perguntei:

- Camila: O que aconteceu?

- Russa, com o celular de Paul em mãos: Paul, a sua mãe está te ligando.

A tensão dominou nós três. Na certa, a mãe de Paul havia ido ao colégio e descoberto que seu filho matou aula. Preocupados, corremos até a parada de ônibus, arrumando centenas de desculpas e histórias, mesmo sabendo que nada iria adiantar. Planejamos de eu descer em uma parada diferente deles, porque se a mãe de Paul estivesse lá e me visse chegando com eles, acharia que eu fui o motivo. Desci uma parada depois e fiquei aguardando Russa, roendo os dedos (as unhas já haviam acabado há alguns minutos).

Eis que, depois de uns 25 minutos de tensão, ela aparece e conta que a mãe de Paul apenas ligou para falar que não iria ao colégio dele hoje. Ela não descobriu nada. NADA.

Tudo acabou com a mesma essência de Ferris Bueller’s Day Off: tudo deu mais certo do que esperávamos, mas ficamos sem saber o que aconteceu com o Cameron. Pelo menos, ficou tudo bem.

Retiro o que eu disse, Deus. Você é quase um Steven Spielberg.

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