terça-feira, 23 de novembro de 2010

Ok, agora o Pepper.

A pedidos, escreverei mais um texto comentando um álbum dos Beatles. Dessa vez o Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, de 1967. Agora com algumas mudanças, como o botão que você aperta e escuta a música citada.

A primeira música, como era de se esperar, é a que dá nome ao álbum. Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (título de, precisamente, 30 letras). É como se os Beatles, na verdade, fossem uma daquelas bandas com nome quilométrico e que se vestem como militares, e a música fosse uma apresentação deles, dizendo que esperam que gostemos do show.
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No final apresentam o Billy Shears, e deixam subentendido que ele é o Ringo, já que é ele que canta a próxima música, With a Little Help from my Friends (28 letras!).

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Agora, o hino... Lucy in the Sky with Diamonds (24 letras... ufa! O tamanho dos títulos está diminuindo...), que foi composta por Lennon após seu filho Julian (com quatro anos na época) chegar em casa com um desenho de sua coleguinha de classe, Lucy O'Donnell. O desenho mostrava ela no céu, e no lugar dos olhos haviam diamantes. John Lennon questionou o filho sobre de que se tratava o desenho, e o menino respondeu: "Essa é a Lucy no céu, sabe, com diamantes". Surge um hit. A curiosidade é que Lucy O'Donnell (ou melhor, Lucy Vodden, depois de casada) não gostava da música... e morreu ano passado, no dia 27/09/09 (eu não disse que esse número é maldito?)

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Próxima, Getting Better. Aquelas puxadinhas (que pra mim soam como um... fá? Talvez Fmaj7...) dão um clima ainda mais otimista à música. Ninguém tem certeza sobre a origem da inspiração pra música. Uns dizem que é por causa da amigdalite do Ringo, que impediu ele de tocar, mas que quando ele voltou disse que estava ficando melhor. Outros dizem que também é por causa da amigdalite do Ringo, mas que foi dita por seu substituto Jimmy Nicol, que foi obrigado a aprender todas as músicas que eles pretendiam tocar em apenas uma tarde, e foi questionado sobre seu desempenho, respondendo que estava ficando melhor. Outros ainda dizem que foi num passeio de Paul McCartney com a cadela, Martha, e Hunter Davies, que se referiu ao tempo com a frase. Na música, John, sempre tão engraçadão, replica a frase "A little better... all the time" com a frase "It can't get more worse!"
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Fixing a Hole, essa introdução me lembra Piggies, sei lá por quê. Apesar de haverem boatos sobre ela falar sobre injeções de heroína, Paul alega que não havia usado heroína ainda nunca, e que a música faz referência a Jesus Cristo (?!?).
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She's Leaving Home, uma das melhores do álbum pra mim. Ela foi terminada em 20 de março de 1967 (precisamente 28 anos antes de eu nascer) e tem uma história mágica, olha só: no Daily Mail (esse jornal foi tão usado nas músicas deles... eles citam o Daily Mail em Paperback Writer, os buracos em Blackburn, Lancashire foram divulgados pelo Daily Mail...) estava a notícia da jovem de 17 anos que fugiu de casa. Os pais lamentavam e diziam que não sabiam a razão. Segundo eles, a menina tinha tudo o que queria. A garota posteriormente foi encontrada, claro, e ela realmente procurava só por diversão. Nenhum Beatle toca instrumentos nessa gravação, só uma orquestra contratada.
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Being for the Benefit of Mr. Kite! (26 letras, os títulos voltam a crescer). Ela é assustadora, com um clima circense, com uma letra em que John apresenta seus artistas. Afinal, estamos num show de uma banda militar, numa viagem de LSD ou num circo?
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Within You, Without You... a única composição de Harrison no álbum (ele, posteriormente, declarou que não gostou do Sgt. Pepper's). É recheada de cítaras e outras coisas indianas, com uma letra bem elaborada, até. Acho que estamos numa viagem de LSD, mesmo.
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When I'm Sixty-Four. Ela é uma das minhas preferidas, a melodia combina perfeitamente com o clima brega da letra. Pode parecer estranho, mas Paul jura que tinha composto a letra (ou pelo menos uma grande parte) quando tinha só 16 anos, bem antes de fazer sucesso, e essa era a música para ser tocada em caso de faltar luz.
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Lovely Rita, como é de se deduzir, fala de uma paixão por uma policial de trânsito. Isso me faz ficar cada vez mais impressionada com o talento de Paul para escrever sobre os mais diversos temas. O termo "meter-maid" era praticamente desconhecido na Inglaterra, pois era uma gíria americana para "policial mulher". Surgiu quando uma policial, Meta Davis, multou McCartney por estacionar em local proibido e, segundo ela, Paul retribuiu com um sorriso. Quando foi questionado sobre o porquê de chamá-la de Rita, Paul disse "bem, ela tinha cara de Rita".
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Good Morning Good Morning, a inspiração veio num comercial de sucrilhos Kellogg's. Sério, veio mesmo. O jingle do comercial era "Good morning, good morning, the best to you each morning, sunshine breakfast, Kellogg's Corn Flakes, crisp and full of fun". A música é cheia de ruídos de animais, e tem um solo muito legal.
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Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (Reprise), com 37 letras, o título mais longo do álbum, é a despedida, complementando a primeira. Diz que estão tristes, mas é hora de ir. Era pra ser a última do álbum, mas A Day in the Life tinha um final muito mais envolvente.
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Agora, a obra-prima... a espetacular A Day in the Life . A melhor relação letra-melodia que eles tiveram. As primeiras 2 partes são cantadas por John, com uma voz calma e arrastada, e falam de Tara Browne, que morreu com 21 anos num acidente de carro. Então, a declaração de que ele viu um filme, que contava sobre a Segunda Guerra como algo glorioso. As pessoas deram as costas, mas ele ficou lá, assustado, porque ele leu o livro - e a história não foi tão gloriosa assim. Depois, tem o "I'd love to turn you on", e segue com alguns segundos atormentadores, como num sonho. Ouve-se o barulho do despertador, e a música dá uma guinada pra algo mais embalado: acordamos. Paul começa a cantar que acordou e estava atrasado. Juntou suas coisas rapidamente e pegou um ônibus... e dormiu nele. Volta então ao sonho, onde John canta mais uma notícia: 400 buracos em Blackburn, no distrito de Lancashire, que diziam ter buracos suficientes pra encher o popular salão de espetáculos Royal Albert Hall. Então, Lennon faz um comentário sarcástico, bem a cara dele: "eles tiveram que contar todos eles (os buracos). Agora eles sabem quantos buracos precisam para encher o Albert Hall". Final impactante. Fim.
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P.s.: Se você contou as letras dos títulos para ver se eu tinha contado certo, você tem problemas.



Interior do Albert Hall (clique para ampliar)

Um comentário:

  1. Eu ja Tinha contado as letras antes.Incrivel,esta tudo ai.Nao esperava menos de alguem como voce

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