E quando chega o Dia das Mães... a gente posta no blog algo bem sentimental. Vou falar de amizade. Não, nada de falar de mãe. Deixarei pra falar dela no dia do Amigo (hã?).
Ano passado foi um dos anos mais divertidos da minha vida. Comecei o Curso Técnico em Agropecuária no Colégio Agrícola Estadual Daniel de Oliveira Paiva (ah, se a escola fosse tão boa quanto o nome é comprido...), o CADOP.
Não que o curso em si tenha sido divertido, pelo contrário, foi um legítimo pé no saco. Mas certos momentos fizeram tudo valer a pena.
Não lembro como, mas eu comecei a conversar com uma menina (que chamaremos de Vick) que fazia o curso técnico e o ensino médio comigo. E aí começou a merda toda. Não demorou muito para que ficasse evidente que o nosso gosto musical era o mesmo: Engenheiros do Hawaii, Raimundos, Guns n’ Roses e... Beatles. Destaque neste último, pois logo começamos a ouvir Yesterday pelos corredores, como duas mal-amadas (há!) e discutir sobre Paul ter morrido. Isso sem contar que ríamos do terceiro ‘Help!’, na música de mesmo nome. Soava tão gay... hoje soa tão nostálgico...
Pois é, aconteceram coisas incrivelmente FAILs com a gente. Por exemplo, um dia eu tive uma luxação patelar (tradução: tirei o joelho do lugar) no MEIO da Educação Física. A Vick, em vez de me ajudar, teve como primeira reação cair na gargalhada. E eu ali, me contorcendo de dor. A professora, calmamente, me perguntou o que eu fazia quando isso acontecia. Eu, entre gemidos de dor, berrei ‘Eu vou no médico!!!’. Bem, isso é óbvio. No final eu tive que ser carregada até o carro por dois meninos (agradecimentos especiais da vez: Gelson, que me ajudou). Por causa desse acidente, eu recebi atestado e não faria aulas práticas.
Então eu costumava nem ir à aula quando tinha aula prática do curso técnico. Mas em certa semana, o horário havia mudado, e eu fui sem querer na aula prática. Vendo que eu teria que ficar parada por causa do atestado, decidi ir ver o que a Vick estaria fazendo. Ela fora mandada pro abatedouro, separar o couro da carne de coelhos. Vendo o nojo revelado claramente na expressão facial da pobre menina, a professora mandou-a limpar o lado de trás do abatedouro (agradecimentos especiais da vez: Professora, porque sem ela, não haveria esse momento cômico pra contar). E eu fui junto, seria uma oportunidade de conversar. Chegando lá, aquilo era mais nojento (e fedia muito mais) que separar o couro de coelhos. FAIL. Pra tentar driblar o fedor, a gente passava amostras grátis de perfume que tinham na minha bolsa (super-bolsinha salva o mundo!) no nariz. E ela se pôs a pegar panelas e funis de dentro de um panelão de água suja. Ela sentiu algo com penas lá dentro do tal panelão e deu um ganido, como se tivessem pisado no rabo de um vira-lata. FAIL. No final, tudo deu certo.
Certa vez, eu vi na Ulbra TV que ia passar o filme Help!, dos Beatles. Eu logo lembrei que a gente achava engraçado o terceiro ‘Help!’ e avisei a Vick desse filme, que iria passar numa noite de terça-feira. No fim, acabamos nos esquecendo. FAIL. E eu baixei o filme tempos depois, pra gente ver (agradecimentos especiais da vez: Pai, que baixou o filme pra mim). Decidimos, na casa dela, fazer pipoca pra assistir o filme. Tivemos a ideia genial de botar um grão de pipoca perto do fogo para ver se estourava. Não estourou. FAIL.
Vendo o filme, mais vários momentos engraçados. Não sei se foi daí, mas Vick e eu desenvolvemos uma paixão enorme pelo John Lennon e pelo Paul McCartney, respectivamente.
Certo dia, resolvemos matar aula com uma colega nossa, Thais (lembra do Gelson, que eu agradeci por ter me ajudado? Pois é, a Thais namorava o irmão gêmeo dele). Nos escondemos no banheiro, e eu falei ‘Ah, poderia ser pior... nada está tão ruim que não possa piorar’. E realmente piorou. Saímos e fomos pra frente da agroindústria, o professor passou perto de nós, e a gente se escondeu. Eu repeti a frase do ‘poderia ser pior’, e nessa hora o professor veio na nossa direção e nos pegou. Eu repeti a frase. E fui pega pela professora, tive que assinar ocorrência. FAIL³
E teve o dia em que fui comprar um coelho lá na escola. Eu, caridosa, perguntei pra Vick se ela queria ir comigo, só pra matar aula do professor Clério (agradecimentos especiais da vez: José Clério, que mesmo a gente matando aula dele, ele sempre foi super amigo, e deixou no corredor uma foto que nos diverte até hoje). Ela aceitou sem pensar. Chegando no coelhário, a professora me deu o coelho e abriu um saco de ração vazio, dizendo pra mim botar o coelho no saco. Eu analisei bem... fiquei com cara de ‘puta merda, pobre bicho’ e soquei ele lá. Um amigo dela tava na porta e me fez a pergunta desconfortável ‘E aí, onde tu vai botar esse coelho?’... Vick, que já me conhecia, sabia exatamente minha resposta: Uma cara de ‘¬¬’ e um ‘Vou botar no teu c*’. E foi isso que eu fiz, mas falei baixo. Até a professora riu.
E uma vez tivemos a sorte de sermos escaladas no mesmo plantão de FDS. Eu entrei no galinheiro e notei duas galinhas soltas, chamei o professor pra me ajudar (agradecimentos especiais da vez: Valdir, que não ajudou porra nenhuma, mas fez volume). Ele pegou uma galinha e enfiou-a por um buraco minúsculo na gaiola, e me disse pra fazer o mesmo com a outra. Avisei a Vick da loucura que teria que fazer. Ela, querendo ter algo pra rir, correu pra ver, tropeçou numa formiga e caiu de quatro no chão.
Ocorreram outros momentos, como o dia em que ela foi comprar um Mentos de 30 centavos com uma nota de 50 reais só pra ver a reação da tia do bar (agradecimentos especiais da vez: Tia do bar, que não matou a Vick nesse dia), a vez em que cantamos Terra de Gigantes no ritmo de Hey Jude e do tema do Super Mario, da festa da GM, da Festa dos Bixos, de quando Vick comprou seu primeiro violão, das tardes embaladas pela ‘Febre I Need You’, de quando eu entrei em crise existencial por estar gostando mais do Ringo do que do Paul, do dia em que eu falei do sol e ela chorou, da praia, do surfista barriga-de-cerveja, do velho sensual, do Precioso, da descoberta de que eu tenho mais de uma orelha, de que a gente tem dois sovacos, de que eu tenho seis dedos nos pés... etc, da declaração de amor da Vick por Sprite, do dia em que a Vick começou a rir enquanto bebia Coca-Cola e a mesma saiu por seu nariz, do dia em que demos um sentido todo especial pro desenho Branca de Neve e os Sete Anões (no final, o Elvis Presley leva a Yoko Ono embora pro castelo imaginário num céu de marmelada, e todos os Beatles ficam felizes), do dia em que conheci o Nariz Sexy (agradecimentos especiais da vez: Lucas, o próprio Nariz Sexy), do Show da ZoomBeatles, entre outros momentos tão toscos, mas tão especiais que não cabem numa postagem de Blog.
Hoje, mais beatlemaníacas do que nunca, temos saudades daqueles dias tão bons.
Um agradecimento mais-que-especial pra Vick, que esteve presente em todos esses momentos e que será minha amiga pra sempre (a não ser que ela não me mande logo a porcaria de depoimento no Orkut).
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