Tomo a liberdade de começar com o álbum Abbey Road, dos Beatles. Afinal, sou uma beatlemaníaca de carteira assinada, carimbada e plastificada. Além do mais, considero esse um dos álbuns mais fodásticos que já ouvi. Sem mais lengalenga, let’s start:
Começa com a Come Together, do Lennon, que esbanja uma combinação de baixo e bateria inconfundível, além de uma lista de regravações bem notável: Aerosmith, Tina Turner, Axl Rose & Bruce Springsteen, Elton John, Diana Ross, Tom Jones, Joe Cocker, Michael Jackson e mais uma porrada de gente talentosa. Foi lançado em single ocupando o lado B, e se você virasse o disco, encontraria a próxima grande composição: Something. Só que essa, do Harrison.
Something também foi regravada por gente boa: Elvis Presley, Frank Sinatra, Joe Cocker (de novo?)... Aliás, foi regravada por quase todo mundo: é a segunda música dos bítuls mais regravada, depois de Yesterday (que, aliás, é a música mais regravada do mundo, com mais de 3.000 versões segundo o Guiness Book, mas não vem ao caso). Há pouco a falar dessa: perfeição pura. Simples e completa. Próxima!
Ah, Maxwell’s Silver Hammer. Essa, como dizem, ou você gosta, ou odeia. Eu gosto. Segundo fontes quase confiáveis, eles não contaram com Lennon nessa gravação, e deram ao Ringo uma função nova no estúdio, super importante: bater uma bigorninha numa superfície de ferro. Afinal, o que seria de “Maxwell’s Silver Hammer” sem o som do martelinho?
Próxima faixa: Oh, Darling. Legal, a voz do Macca é cansada e forte, ao mesmo tempo. Tem uma “puxada” de guitarra bem interessante, mas é um tanto repetitiva.
Octopus’s Garden, segunda - e última - composição de Starr no grupo. Fala de jardins de polvo. Na sombra. Que tal pular essa?
I Want You (She’s so Heavy), que música repetitiva. Pode ser legal e coisa e tal, mas nos primeiros 3 minutos. Podem falar o que quiserem, eu não agüento todos os 7:45.
Lado B, Here Comes the Sun, essa é inspiradora. Não conta com participação do Lennon. Ringo faz a bateria e bate palminhas. Paul faz o coro, o baixo e bate palminhas. Harrison compôs, cantou, tocou violão, guitarra, sintetizador moog e, adivinhe, bateu palminhas. Tem instrumentos de orquestra também: quatro violas, quatro violoncelos, um baixo, dois pícolos (se você lembrou de Dragon Ball, vá ler um livro), duas flautas, duas flautas alto e duas clarinetas (se você lembrou do Lula Molusco, vá reler o livro).
Because, uma das mais hipnotizadoras. Inspirada na sonata para piano n° 14, opus 27, de Beethoven tocada ao contrário, ou seja, do último ao primeiro acorde. Cantada em coro harmônico, depois as vozes foram sobrepostas duas vezes, criando efeito de nove vozes. Linda.
You Never Give Me Your Money, aquela que pode ser dividida em quatro. Ouça e entenderá. Termina com sons de animais, que “abre as portas” para a próxima, “Sun King”.
Essa tem uma letra bem déjà vu, à primeira vista. “Heeere comes the suun... king”. O legal dela, pra mim, além das vozes no mesmo estilo “Because”, é que a música termina com frases em outras línguas, inclusive português. Relaxa e é bonita.
Mean Mr. Mustard, essa tem história. Foi gravada na Índia, inspirada numa notícia pra lá de incomum. O avaro que guardava dinheiro no canal do reto (!!!). Faz uma citação à uma tal de Pam, que puxa pra próxima música:
Polythene Pam tem uma letra no estilo da antecessora, Mean Mr. Mustard. E, como tal, também termina de uma forma brusca. Os “Yeah, yeah, yeah” dão uma nostalgia do caramba.
She Came in Through the Bathroom Window... (pausa para respirar)... é ótima, tem uma letra bem bacana. É um complemento bem Polythene Pam. Com certeza, esse é o álbum mais coeso dos Fab Four.
Golden Slumbers, essa dispensa comentários. Tem um poder inegável de conquistar as pessoas. Parte para emendar com a Carry That Weight (que, cá entre nós, ficaria legal após Hey Jude... raciocina só: todo aquele “Ei, Jude, você fará, o movimento que você precisa está em seus ombros”, deixando o cara com a auto-estima batendo no teto, e chega aquele “Garoto, você vai carregar esse peso por um longo tempo”. Um balde d’água, e a auto-estima do cara chega ao núcleo da Terra), e surpresa: bate aquele déjà vu. Parte para emendar com a The End, que tem uma das frases mais bonitas e significativas deles: “And in the end, the Love you take is equal to the Love you make”. Você fica lá, pensando sobre o legado que os caras deixaram, o amor que eles semearam, a paz que eles levaram, a morte cruel de Lennon, a luta sem sucesso de George contra o câncer, a famosa frase “O Sonho Acabou” fica ressoando em sua cabeça... e aí começa “Her Majesty”, e você percebe que o sonho ainda vai durar 23 segundos. E é só.
Beijos da Semolina.
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